sexta-feira, 4 de setembro de 2015

Breve história do horror espanhol

Tudo começou com Jesus Franco. O cineasta madrileno foi o responsável pela popularização do gênero na Espanha. Apesar de ser um grande canastrão, Franco produziu e dirigiu filmes de terror razoáveis no começo de sua carreira. Um dos mais famosos é "Gritos en la noche" de 1962, um dos grandes clássicos do gênero na Espanha. Interpretado pelo suíço Howard Vernon, Dr.Orloff foi um dos grandes vilões criados pelo cinema espanhol.  A parceria entre Vernon e Franco voltaria a ocorrer em outras películas, como em "La mano de un hombre muerto", também de 1962.

 "Gritos en la Noche"


Durante a década de 60, muitos filmes europeus de horror tiveram co-produção espanhola, como por exemplo dos italianos Mario Bava, Alberto De Martino e Sergio Martino. Mas não era só de produções baratas e películas insossas que vivia o horror da Espanha. O gênero criava raízes no país ibérico, com grandes atores e cineastas. Além dos citados, Jesus Franco e Howard Vernon, a década de 60 foi o grande debute do ator Paul Naschy. Ele ficou conhecido por suas "inesquecíveis" atuações como "El Hombre Lobo". Em 1968 Naschy estreiou dois filmeu sobre licantropia. Mas só foi em 1971 que o ator ganhou prestigio entre os fãs de horror, com o clássico "La Noche de Walpurgis"

"La Marca del Hombre Lobo"

No fim da década de 60 surgiam dois grandes nomes do cinema espanhol de terror; Narciso Ibáñez Serrador e Amando de Ossorio surgiam respectivamente com "Internato Derradeiro" (1969) e "Malenka" (1969). O primeiro cineasta só seria reconhecido quase uma década depois, com o excelente "¿Quién puede matar a un niño?" (1976). Essa película, por sinal, foi considerada uma das favoritas do cineasta estadunidense Eli Roth, diretor de "O Albergue".
"¿Quién puede matar a un niño?"

Amando de Ossorio será lembrado por ter criado uma das franquias de horror mais divertidas da história. A dos zumbis templários, que atacavam desavisados turistas que ousavam profanar o local de seu descanso eterno. "La noche del terror ciego" foi uma das produções mais bem sucedidas da Espanha durante a década de 70. A película teve mais três continuações, que claro, ficaram aquém da tensa e deliciosa atmosfera criada no primeiro filme. Jesus Franco, anos mais tarde,  dirigiu o péssimo remake, "La mansión de los muertos vivientes".

"La noche del terror ciego"
Além da franquia de Ossorio, outro fenômeno surgia no terror espanhol. O perturbante curta de 35 minutos, "La Cabina" de Antonio Mercero, ganhou prêmios no mundo todo, e até hoje em dia é cultuado na Espanha.

"La Cabina"
 Na década de 70, a Espanha foi tomada, mais uma vez por produções paupérrimas, de qualidade duvidosa e de alto erotismo. Contudo alguns cineastas resgatavam o gênero de forma original, como no caso de Jorge Grau que dirigiu "A Força Sangrenta" (1973). Um ano depois foi para a Itália rodar "Non si deve profanare il sonno dei morti". Na mesma década surgia também o talento de Eloy de la Iglesia, tio de Alex de la Iglesia, um dos principais nomes do horror europeu na atualidade, e do argentino León Klimovsky de "La Rebelión de las Muertas".

"A Força do Diabo"

 Com o sucesso de "O Exorcista" em 1973, a indústria cinematográfica espanhola não pode ficar de fora. Portanto durante esse período foi lançado alguns genêricos sobre possessões demoníacas; "Exorcismo" de Juan Bosch, e protagonizado por Paul Naschy, "La endemoniada" de Amando de Ossorio e "La perversa caricia de Satán" de Georges Gigo são alguns dos filmes com essa temática. Mas o filme sobre rituais satânicos mais famoso do período foi "Escalofrío" (1978) de Carlos Puerto.


"Escalofrío"


Em 1982, o recém falecido cineasta espanhol Juan Piquer Simón rodou "Pieces", um slasher barato com co-produção americana e porto-riquenha. Tal filme foi o mais prestigiado do cineasta, que entre outras pérolas rodou produções como "Los Nuevos extraterrestres" (1983), "Slugs, muerte viscosa" (1988) e "Inferno Submarino" (1990).

"Pieces"

Apesar de algumas bagaceiras, as produções espanholas de terror amadureceram na década de 80. É o caso de "Sem Face" (1987) de Jesus Franco, e "Os Olhos da Cidade São Meus" (1987) de Bigas Luna. Esse último cineasta, por sinal, se consolidaria como um dos principais realizadores da Espanha na década de 90. O perturbador filme sobre pedofilia, "Tras el Cristal" de Agustí Villaronga também foi rodado no mesmo período.
"Os Olhos da Cidade são Meus"
Se nos anos 80 o cinema de horror espanhol amadureceu, foi na década seguinte que o gênero se tornou um símbolo da indústria cinematográfica do país, com produções cultuadas no mundo todo. Em 1994, a série de filmes extremos "Aftermath" de Nacho Cerdà, chocou muitas pessoas pelas cenas realistas de mutilação. Já o citado Alex de la Iglésia promoveria "El dia de la Bestía", divertida comédia de terror, sobre um padre e um metaleiro em busca do filho do tinhoso. "Tesis" de Alejandro Amenábar foi uma crítica ao poder que a mídia exerce sobre as pessoas, principalmente em termos de violência. E a história sobrenatural de "Los sin nombre" (1999) de Jaume Balagueró.

"El dia de la Bestia"


No fim da década de 90 e começo de 2000, prestigiados cineastas se voltaram a Espanha, para realização de projetos de terror; Roman Polanski rodou "O Último Portal" (1999), Stuart Gordon rodou "Dagon" (2001) e o mexicano Guillermo del Toro rodou "A Espinha do Diabo".
"A Espinha do Diabo"

Paco Plaza, diretor de "O Segundo Nome" (2002), e o já citado Jaumé Balanguero de "Frágiles" (2005) uniram-se para realizar um dos grandes filmes de horror da década; "[REC]" (2007). O filme ganhou uma fraca refilmagem estadunidense, além de três sequências, sendo que duas estão em pós-produção.
"[REC]- Genesis"

O desconhecido Juan Carlos Fresnadillo dirigiu a bem sucedita continuação da franquia inglesa "O Extermínio", e em breva vai lançar um novo filme de horror espanhol, protagonizado por Clive Owen. Já Guillermo del Toro investiu em produções e nos talentos da nova safra do cinema de terror espanhol; em "O Orfanato" de Juan Antonio Bayona e "Os Olhos de Julia" de Guillem Morales foram duas das apostas do cineasta e produtor mexicano. É válido ressaltar que o Del Toro foi indicado ao Oscar pela fantasia "O Labirinto do Fauno", premiado filme espanhol, em co-produção com os EUA.


"O Orfanato"
Com esse hitórico de produções memoráveis, o cinema espanhol de terror é um dos mais representativos do mundo ao lados do Japão, Coreia do Sul, Suécia, Itália, França, Inglaterra, e é claro, dos EUA.

Fonte: http://larioscine.blogspot.com.br

Um comentário:

carlosm42 disse...

Muito legal essa matéria Mike
Valeu !

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