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quarta-feira, 5 de agosto de 2015

Breve história do horror japonês - PARTE 2

1ª Parte Aqui

Em meados da década de 60, depois do apogeu de Godzilla nos cinemas japoneses, a Terra do Sol Nascente exportou talentos para a Inglaterra e EUA. O famoso cineasta Kinji Fukasuka dirigiu em 1968, "O Lodo Verde", ficção de terror que é considerada um legítimo "trash". A clássica "podreira" de Fukasuka rendeu uma filmografia fora do Japão bastante rentável. O cineasta ficou conhecido por co-dirigir o drama de guerra"Tora! Tora! Tora!" e o japonês "Batalha Real".

"O Lodo Verde"

Paralelo a franquia do lagarto-gigante, o Japão produziu outros cults de monstregos que vale mencionar. É o caso de "Yôkai daisensô" (1968) de Yoshiyuki Kuroda, divertida fantasia que foi refilmada por Takashi Miike no filme homônimo de 2005. O sucesso da película foi grande no Japão que ganhou duas sequências. "Yôkai hyaku monogatari" e "Tôkaidô obake dôchû" foram as continuações do cultuado filme de monstros. A franquia desconhecida no ocidente é uma aula de imaginação, repleto de adoráveis e horrendas criaturas que só o cinema nipônico de horror pode proporcionar.

Alguns dos peculiares monstros da franquia "Yokai Monsters"

Nesse período o cinema de arte flertou com o gênero fantástico no clássico "Môjû" (1969) de Yasuzo Masumura. O filme que conta a história de um escultor cego obcecado por uma modelo que aprisiona em seu atêlie, criou uma estrutura inovadora no cinema nipônico; o terror psicológico. Grande clássico que levou um tipo de violência jamais vista no Japão. Apesar de ser cultuado, a película baseada em um conto do polêmico autor de obras violentas e sensuais Rampo Edogawa, foi um fiasco nas bilheterias do país. Mas como um bom vinho, "Môjû" foi cultuado por cinéfilos anos depois, tornando-se um dos filmes japoneses mais aclamados de todos os tempos.


"Môjû" de Yasuzo Masumura

Com o virar da década, o Japão vivenciaria a decadência do seu renomado cineasta Akira Kurosawa que tentara por fim a sua própria vida. Além disso existia o descontentamento da crítica com a maior parte das produções do período, pois muitas eram taxadas como "enlatadas" . Apesar disso surgiram alguns cineastas interessantes como Teruo Ishii e seus filmes violentos, que muitas vezes tranformava uma frágil mulher nipônica em uma máquina indestrutível. É o caso de "Blind Woman´s Curse" (1970), terror ao melhor estilo de duelos de espadas, gore e artes marciais. Ishii também dirigiu o cultuado filme de ação "Female Yakuza Tale" (1973) protagonizado por Reiko Ike.
Cenas de "Blind Woman´s Curse"


Se não bastasse as adaptações alemãs, espanholas, inglesas e italianas da obra vampiresca de Bram Stoker, o Japão também produziu  alguns filme sobre Drácula, que eventualmente não decolaram por lá.
"Lake of Dracula" (1971)

Recém descoberto pela prestigiada distribuidora americana Criterion, "Hausu" de Nobuhiko Ôbayashi é uma divertida comédia de terror ao estilo nonsense. A fotografia colorida da película é baseada em desenhos feitos por crianças, por isso ela é tão forte e tosca. Em "Hausu" sete garotas passam as férias de verão em uma casa assombrada, e poucas sobrevivem. Os efeitos são bem elaborados, e só depois de trinta anos a película japonesa recebeu sua devida atenção.



A exemplo de "Môjû", o cinema de arte mais uma vez se encontra com o terror em uma obra do prestigiado cineasta Nagisa Ôshima. Em "O Império da Paixão" (1978), o fantasma de um marido traído persegue o amante e a mulher adúltera nesse filme vencedor de melhor diretor no Festival de Cannes. O filme também é marcado pelo erotismo, aspecto muito comum durante o fim da década de 70 no cinema japonês. Em 1980 "Tsigoineruwaizen" de Seijun Suzuki também marcou pela mesclagem artística com o gênero de terror. O fillme de Suzuki, conhecido diretor japonês de filmes sobre a Yakuza, tem um estilo surreal e lembra bastante os giallos italianos.
"O Império da Paixão"
 "Tsigoineruwaizen"

Outro filme de terror lascivo que marcou o período foi o cult fetichista "Beautiful Girl Hunter" de Noribumi Suzuki. O filme sobre sequestro mostra fortes cenas de sexo e tortura, aos moldes doentios que só o cinema nipônico pode proporcionar.
"Beautiful Girl Hunter"

Além do apelo artístico e erótico no cinema de horror, os japoenes também levaram esse gênero para seus conhecidos animês. Os desenhos animados nipônicos eram muito visto pelos adultos, portanto merecia uma abordagem mais séria e assustadora. "Harmagedon" (1983) de Rintaro, "Tenshi no Tamago" (1985) de Mamoru Oshii, "Meikyû monogatari" de Katsuhiro Ohtomo (1987), "Yôjû toshi" (1987) de Yoshiaki Kawajiri, "Teito Monogatari" de Akio Jissoji e "Shôjo tsubaki: Chika gentô gekiga" (1992) de Hiroshi Harada, possuiam uma temática de filmes de terror em meio as clássicas animações nipônicas.
"Teito Monogatari"

 "Meikyû monogatari"

 "Shôjo tsubaki: Chika gentô gekiga"


A década de 80 em geral não teve grandes obras de terror, mas é válido destacar algumas como "Denchu Kozo no boken" e "Tetsuo", ambos de Shinya Tsukamoto, além de "Evil Dead Trap" de Toshiharu Ikeda e "Sûito Homu" de Kiyoshi Kurosawa. O dois primeiros filmes citados mesclam tecnologia em produções estilosas e difíceis, principalmente "Tetsuo" um dos filmes japones mais conhecidos em todo mundo. Já "Evil Dead Trap" é um filme aos moldes de "Videodrome" de David Cronenberg, pois aborda os snuff-movies e o poder da televisão. "Sûito Homu" é uma divertida adaptação do game da Capcom para o NES, "Sweet Home" para as telas do cinema. Pouco conhecido no ocidente, o filme possui grandes méritos por ser o debute do consagrado Kiyoshi Kurosawa, além de contar com  elaborados efeitos especiais do americano Dick Smith ("O Poderoso Chefão" e "O Exorcista"). Esse, como "Hausu", merece ser descoberto pelos fãs de terror. Apesar de histórias e abordagens diferentes, os efeitos dos filmes citados são excelentes, e ajudaram a definir a história do cinema do gênero no Japão.
 "Denchu Kozo no boken"
 "Tetsuo"
 "Evil Dead Trap"
 "Sûito Homu"

Mas antes de finalizar a década de 80, não posso me esquecer dos filmes extremos da terra do sol nascente. Afinal os japoneses são excelentes em chocar através de cenas de desmembramentos muito bem efetuadas que até parecem reais. Os filmes na sua granda maioria não tem história relevantes, portanto são feito exclusivamente por mentes doentias e para um público sádico. O curta "Guinea Pig" de 1985 ficou famoso por suas cenas de desmembramento filmadas de forma amadora. Muitos acreditam até hoje que o filme possa ser um "snuff movie". Dirigido por Satoru Ogura, "Guinea Pig" fez escola no Japão, além de dar origem a uma franquia de "podreiras". A mais interessante na minha opinião é "Ginî piggu: Manhôru no naka no ningyo" de Hideshi Hino, onde um artista encontra uma sereia ferida e resolve ampara-la na banheira de sua casa. Só que a criatura marítima possui uma doença mortal na qual brotam diversos tumores de sua epiderme, deformando-a gradativamente. Doentio, mas interessante.
"Ginî piggu: Manhôru no naka no ningyo"

Além da famosa franquia, o cinema japonês criou um subgênero chamado "japanese shocker" com películas de terror extremo e para estômagos fortes. As mais famosas são, "Bijo no harawata" de Gaira e a franquia "Ooru naito rongu" de Katsuya Matsumura.

A década de 90 foi um grande marco para o cinema japonês em geral. Além da morte de Akira Kurosawa, os japoneses colecionavam prêmios consagrados de cinema com películas de Takeshi Kitano e Shohei Imamura. Além de surgir gandes nomes como Takashi Miike, Kiyoshi Kurosawa e Hideo Nakata. Com a alvorada do novo século, e com sucessos como o desenho "Akira", os cults "Tetsuo" e "964 Pinocchio", o Japão investiu em algumas produções cyberpunks. É o caso da continuação de "Tetsuo" em 1992 chamado de "Tetsuo II: Body Hammer", e quatro anos mais tarde o estranho "Rubber´s Love" de Fukui, mesmo diretor de "964 Pinocchio".

"964 Pinocchio"
"Rubber´s Love"

Eis que surge 1998, o ano que todos os ditos fãs de filmes de terror japoneses mais esperaram. O ano de "Rasen" de Jôji Iida, filme um pouco desconhecido mas que ajudou a dar origem ao "Ringu" (Chamado), e aos famigerados espíritos cabeludos. Mas foi Hideo Nakata que popularizou o gênero que ficou conhecido como J-Horror. Surgiram então "Ju-on" de Takashi Shimizu (O Grito), "Dark Water" do próprio Nakata,  "Chakushin ari" de Takashi Miike, que fizeram sucesso no ocidente graças a seus remakes estadunidenses.

 "Ringu"
 "Ju-On"
 "Chakushin ari"

Paralelo isso o Japão produzia películas mais "cerebrais" como as do cineasta Kiyoshi Kurosawa, e as mais psicológicas como o de Takashi Miike. O primeiro cineasta, que não tem nenhum parentesco com o lendário Akira Kurosawa, dirigiu alguns filmes de terror bem interessantes como; "Jigoku no Keibîn" (1992), o excelente "Cure" (1997) e o mais famoso "Kairo" (2001), que foi refilmado nos EUA, ganhando até uma franquia chamada "Pulse". Kurosawa partiu para um terror psicológico singular com conteúdo crítico implícito.
"Cure"
"Kairo"
Outro cineasta que teve sua filmografia reconhecida ainda na década de 90 foi Takashi Miike. Mas foi no início dos anos 2000 que o cineasta nipônico dirigiu "Audição", película que "reascendeu" a chama do torture porn. Mais de dois terços do filme limita-se a mostrar um viúvo em busca de uma parceira ideal. Ele encontra uma bela e jovem garota que esconde seu verdadeiro caráter por trás de uma aparência serena e afável. O desfecho da trama é conhecido por quase todos. O filme é chocante por sua mesclagem de gêneros, por isso o filme ficou tão conhecido. Miike também dirigiu outras películas de terror como o já citado  "Chakushin ari", além de "Gozu", "Izo", "Yôkai daisensô", entre outros.

"Audition"

Nos últimos anos, o terror japonês produziu algumas obras de terror bastante interessantes em meio algumas picaretagens. Destacaram-se "Battle Royale" (2000) de Kinji Fukasaku, "Suicide Club" (2001) de Shion Sono, "2LDK" (2003) de Yukihiko Tsutsumi, "Marebito" (2004) de Takashi Shimizu, "Kansen" (2004) de Masayuki Ochiai, "Mail" (2004) de Iwao Takahashi, "Haze" (2004) de Shinya Tsukamoto, "Noroi" (2005) de Kôji Shiraishi, "Noriko no shokutaku" de Shion Sono, "Tantei Monogatari" (2007) de Takashi Miike, "Tokyo Gore Police" (2008) de Yoshihiro Nishimura e "Machine Girl" (2008) de Noboru Iguchi.
 "Battle Royale"
 "2LDK"
 "Noroi"
"Tokyo Gore Police"

Fonte: http://larioscine.blogspot.com.br

segunda-feira, 21 de fevereiro de 2011

Sombras do Terror [Dublado]

The Terror (1963) EUA

O Tenente Andre Duvalier (Jack Nicholson) é socorrido em uma praia por uma mulher, que some logo depois. Ele acaba descobrindo que seu paradeiro é um grande castelo, junto do sinistro Barão Victor Frederick Von Leppe (Boris Karloff). Porém, quando lá chega, ele a reconhece em um quadro de uma falecida.

INFORMAÇÕES DO ARQUIVO

Tamanho:695Mb

Àudio: Portugues

Formato: DVDRIP

Qualidade audio:10

Qualidade video:10

:Download:Fileserve

As filmagens de "The Raven" terminaram um pouco antes do previsto, e Boris Karloff ainda tinha mais 2 dias de contrato para cumprir, sendo assim Roger Corman logo não perdeu tempo e elaborou um rapido script, aproveitou parte do elenco de The Raven (inclusive Jack Nicholson) e filmou essa pérola.

sábado, 1 de janeiro de 2011

A Casa do Espanto [Dublado]


House (1986) EUA

Roger Cobb (William Katt), é um veterano da guerra do Vietnã cuja carreira como escritor de histórias de horro, sofreu uma reviravolta quando misteriosamente seu filho Jimmy desapareceu ao visitar a casa de sua tia. A obcecada procura por seu filho destruiu toda sua carreira como escritor e até mesmo seu casamento, mas agora, com a súbita morte de sua tia, ele retorna a casa onde seu pior pesadelo tem início. Os demoníacos zumbis que habitam a assustadora casa o forçam a enfrentar uma angustiante jornada ao passado, ai final da qual ele reencontrará seu filho. Roger precisa combater as forças do mal que o assombraram por toda vida, a fim de salvar a ele e a seu filho da morte certa.

Elenco:
William Katt ... Roger Cobb
George Wendt ... Harold Gorton
Richard Moll ... Big Ben
Kay Lenz ... Sandy Sinclair
Mary Stavin ... Tanya
Michael Ensign ... Chet Parker
Erik Silver ... Jimmy
Mark Silver ... Jimmy
Susan French ... Aunt Elizabeth
Alan Autry ... Cop #3
Steven Williams ... Cop #4
James Calvert ... Grocery Boy
Mindy Sterling ... Woman in Bookstore
Jayson Kane ... Cheesy Stud


Informações Técnicas:
Título...............: A casa do espanto
Formato de Vídeo.....: Xvid
Formato de Áudio.....: Mp3
Qualidade............: DVD-Rip
Idioma...............: Português
Legenda..............: Sem Legenda
Tamanho..............: 1,4 Gb
Duração..............: 92 min
Resolução............: 640 X 388
Upload...............: Lord Ninja

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1ª parte2ª parte3ª parte4ª parte
5ª parte6ª parte7ª parte8ª parte

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Fonte; Blog Amigos do Homer

A Casa que Pingava Sangue [Dublado]

Capa e Cartaz do filme A Casa que Pingava Sangue

The House That Dripped Blood (1971) Inglaterra

Após mudar-se para uma antiga casa, o ator de filmes de terror Paul Henderson desaparece misteriosamente. Durante sua investigação, o Inspetor Holloway ouve quatro histórias sobre a casa.

Assassinato por Escrito: O escritor Charles Hillyer e sua mulher vão morar na casa onde ele passa a ser perseguido por Dominik, um personagem assassino de seu último livro.

Museu de Cera: Quando um museu de cera instala-se na casa, Phillip Grayson e Neville Rogers tornam-se obcecados por uma estátua que relembra uma mulher que conheceram no passado.

Doces para um Doce: A babá de Jane, Ann Norton, fica horrorizada com o jeito que o pai, John, trata a menina recusando-se até mesmo a dar-lhe uma boneca.

O Manto: Paul Henderson é um ator temperamental que está filmando uma produção de terror nas redondezas muda-se para a casa após comprar uma capa preta de um vendedor peculiar. A peça parece dar poderes ao homem e ele logo recebe a visita de sua co-estrela, Carla, que descobriu seu segredo.

Direção: Peter Duffell
Roteiro: Robert Bloch; Russ Jones
Produção: Max Rosenberg; Milton Subotsky
Produção Executiva: Gordon Westcourt; Paul Ellisworth
Fotografia: Ray Parslow
Música: Michael Dress
Edição: Peter Tanner
Direção de Arte: Tony Curtis
Maquiagem: Harry Frampton; Joyce James
Elenco: Denholm Elliott (Charles Hillyer), Peter Cushing (Philip Grayson), Christopher Lee (John Reid), Ingrid Pitt (Carla Lynde); John Bennett (Det. Insp. Holloway); John Bryans (A.J. Stoker); John Malcolm (Sgt. Martin); Joanna Dunham (Alice Hillyer); Tom Adams (Richard/Dominic); Robert Lang (Dr. Andrews); Joss Ackland (Neville Rogers); Wolfe Morris; Chloe Franks (Jane Reid); Jon Pertwee (Paul Henderson)

Revisitemos "A Casa que Pingava Sangue" (1971), já um pequeno clássico do horror e caro especialmente aos amantes dos “terror tales”, tão comuns na saudosa década de 1970 e hoje completamente esquecidos. Pois é um daqueles filmes divididos em episódios, com um fio condutor amarrando a trama e funcionando como uma historieta à parte. São quatro histórias curtas (em média 20 minutos cada uma) e todas são ótimas, cada uma com sua própria peculiaridade distinta, com um gosto envelhecido, agradável, talvez até com cheiro das páginas amareladas daqueles contos curtos porém rasteiros que saíam aos montes em magazines de horror e suspense como “Mistério Magazine de Ellery Queen”, “Mistério Magazine de Alfred Hitchcock”, “Horas de Suspense”, etc. E não é para menos, já que todo o filme é baseado em histórias do mestre do horror e suspense Robert Bloch (e também com roteiro de seu próprio punho), mais conhecido como autor do romance “Psicose” (1959), que Alfred Hitchcock transformou num clássico do cinema.

Bloch, aliás, escreveu e roteirizou uma série de filmes entre os anos de 1960 e 1970, todos eles para a produtora “Amicus”, que na época rivalizava com a “Hammer Films”, também inglesa, no mercado de horror. Só para dar uns exemplos desses filmes, hoje pérolas raras e amadas pelos aficionados: As Torturas do Dr. Diábolo, Asilo Sinistro, Picada Mortal.
Quanto à Casa que Pingava Sangue, e para aqueles que ainda não viram (e que desejam ver), seria chato conhecer a fundo a trama de cada episódio, por isso irei me limitar a pinceladas rápidas, apenas para uma primeira apreciação. Tudo começa quando um inspetor da Scotland Yard sai em busca de um ator de filmes de terror desaparecido, chamado Poul Anderson, tempos depois de ter alugado a famigerada casa, então sob o controle de um tal de Sr. Stoker. Na delegacia do próprio vilarejo, um assustado oficial de polícia conta ao agente outros casos estranhos de desaparecimento e morte que ocorreram num passado não muito remoto e que tinham relação com a casa. E então nos são apresentadas as histórias.

Na primeira delas (baseada no conto “Method for Murder”), um escritor de livros de crime e mistério resolve se isolar na mansão, juntamente com sua esposa, para terminar um novo trabalho, e acaba sendo vítima não propriamente de suas idéias obsessivas, mas de algo ainda mais insuspeito. Ele cria um personagem psicopata chamado Dominic e acredita estar sendo vítima de sua própria criação. O conto não é, como se poderia imaginar a primeira vista, completamente previsível: há um jogo psicológico com o espectador que funciona maravilhosamente (eu, pelo menos, caí que nem patinho). Sem dúvida é aqui, justamente nessa primeira história, que vemos a influência maléfica da casa se manifestando de forma mais intensa, fazendo jus à sua fama, talvez um tanto exagerada, de mal assombrada, embora a casa não participe, em qualquer uma das histórias, de maneira direta sobre as tragédias que recaem sobre os personagens, mas apenas, e como nos diz o próprio narrador, “exerce uma estranha influência sobre sua personalidade”. Tendo a personalidade ideal (seja lá o que isso signifique) não há qualquer problema.
A segunda história (“Waxworks”) é mais indireta ainda, já que o crime, o clímax do conto, não é relacionado à casa propriamente dita, mas a uma antiga e provavelmente não resolvida questão de adultério entre uma bela mulher já falecida (chamada apropriadamente de Salomé) e alguns homens que a amaram no passado. Acontece que o dono de um museu de cera da cidade construiu uma cópia perfeita de Salomé e a mantém exposta, até que um negociante aposentado (interpretado por ninguém menos que o grande e inigualável ator britânico Peter Cushing) a descobre perdida na semi-obscuridade do museu e fica fascinado pela sua beleza e por estranhas recordações do passado. Esse homem, não por acaso, acabara de se isolar na Casa, e daí à conclusão de que algo aterrador irá acontecer é um pulo. Esse, ao menos, levará consigo um velho amigo, que também fora no passado um joguete de Salomé e ainda se mantém preso em recordações saudosas.

Essa história não é absolutamente original, já que parte da lenda de Salomé (aquela que fora uma princesa na época do Rei Herodes, e que já foi contada e recontada, entre outros, até pelo poeta irlandês Oscar Wilde numa peça de teatro), e mescla com o tema comum às histórias de horror envolvendo um museu de cera. É possível que o conto esteja até mesmo deslocado da premissa do filme, mas acaba passando batido por ser, entre outras coisas, divertido, simpático, com bons atores e, of course, ter Peter Cushing no elenco.

O que nos leva à terceira história (“Sweets to the Sweet”) - e a minha preferida. Não somente pelo fato de ter Christopher Lee no elenco, mas por ser a mais sádica, cruel e diabólica, a despeito do fato de apresentar uma linda garotinha loira como estrela principal. Lee interpreta um pai austero e anti-social, que resolve se isolar com a filha na casa de campo por achar que ela herdou, da mãe, uma tendência a práticas de bruxaria. E talvez ele tenha razão; por medo, acaba tratando a menina com rispidez, o que só faz aumentar a raiva e a vontade de vingança da garotinha. Nem mesmo a presença de uma belíssima e dedicada babá impedirá a tragédia que se desenrola aos poucos no casarão. Final previsível, mas aterrador, sinistro, resgatando a prática macabra do vodu tal como se acreditava que era praticado pelas bruxas da idade média. Uma história crua, gélida, e Lee, como sempre, muito à vontade no papel.

A quarta história é aquela que iniciou tudo (a história do ator de filmes de terror desaparecido, o tal Poul Anderson), que havia alugado a casa durante o tempo em que iria atuar num novo filme de horror mas, por causa de uma “capa de vampiro” supostamente verdadeira, acaba se envolvendo numa trama vampírica macabra e insuspeita. Além do canastríssimo Jon Pertwee como o “astro de cinema” (como ele enfatiza com toda pompa), esse episódio traz a diva do terror inglês Ingrid Pit, que já na década anterior vinha se destacando nos filmes de terror da produtora “Hammer”, mais especificamente naquele que se tornou um clássico: A Condessa Drácula (inspirado na história de Elizabeth Bathory). O conto é muito divertido e revive com bom humor e originalidade o tema do vampirismo, então já revirado do avesso nos filmes de terror britânicos. Curiosamente, essa história é a única que consegui encontrar na forma do conto original escrito por Robert Bloch: saiu numa coletânea portuguesa de histórias de vampiros chamada “12 Histórias de Vampiros – Apresentadas por Roger Vadim”, mas é bastante diferente da adaptação em filme, preservando só a idéia da capa que tem poderes de transformar em vampiro quem a veste. Clima sinistro do começo ao fim, bons argumentos, boa música, atores carismáticos, a junção de todos esses elementos, e muito mais, tornam A Casa que Pingava Sangue um verdadeiro clássico. Filme que não canso de rever.

E.R.Corrêa

Fonte; http://siteantigo.bocadoinferno.com/artigos/piingo.html

Tamanho:700Mb

Àudio: Portugues

Formato: TVRIP

Qualidade audio:10

Qualidade video:10
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